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Monday, 06 September 2010
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  José Afonso

A morte saíu à rua

Am C G Am
A morte saíu à rua num dia assim

C G Am
Naquele lugar sem nome p´ra qualquer fim

Am C F
Uma gota rubra sobre a calçada cai

Dm C G Am
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
A lei assassina a morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação

Balada do Outono

Em   D    Em
Água e pedras do rio

D      Em
Meu sono vazio

D     Em
Não vão acordar

Em    D    Em
Água das fontes calai

D      Em
Ó Ribeiras chorai!

B#7    D    Em
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Canção de embalar

Dm                            C 
Dorme meu menino a estrela d'alva
Dm C
Já a procurei e não a vi
Gm Dm
Se ela não vier de madrugada
Gm A Dm
Outra que eu souber será pra ti

Dm C Dm
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô 2x

Dm C
Outra que eu souber na noite escura
Dm C
Sobre o teu sorriso de encantar
Gm Dm
Ouvirás cantando nas alturas
Gm A Dm
Trovas e cantigas de embalar

Dm C Dm
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô 2x

Dm C
Trovas e cantigas muito belas
Dm C
Afina a garganta meu cantor
Gm Dm
Quando a luz se apaga nas janelas
Gm A Dm
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Dm C Dm
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô 2x

Dm C
Perde a estrela d'alva pequenina
Dm C
Se outra não vier para a render
Gm Dm
Dorme qu?inda à noite é uma menina
Gm A Dm
Deixa-a vir também adormecer

Dm C Dm
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô 2x



Canto Moço

A                     E
Somos filhos da madrugada

                                                  A
Pelas praias do mar nos vamos
                                            E
À procura de quem nos traga
                                        A
Verde oliva de flor no ramo


      D                               A
Navegamos de vaga em vaga
              D                            A
Não soubemos de dor nem mágoa
                                         E
Pelas praias do mar nos vamos
                                   A
À procura da manhã clara



Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira

Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha Onde o vento cortou amarras

Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora

Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Entrudo

F#m
Ó entrudo Ó entrudo
   E                        F#m
Ó entrudo chocalheiro
                                E
Que não deixas assentar
                             F#m
as mocinhas ao solheiro


Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu'eu estou bem
Que no monte é qu'eu estou bem

Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu'eu estou bem

Estas casa são caiadas
Estas casa são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira

Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira

Maria Faia

Am                E
Eu não sei como te chamas
             Am
Oh Maria Faia
     G                          C
Nem que nome te hei-de eu pôr
            E                Am
Oh Maria Faia Oh Faia Faia Maria



Cravo não que tu és rosa
Oh Maria Faia
Rosa não que tu és flor
Oh Maria Faia oh Faia Maria

Não te quero chamar cravo
Que te estou a engrandecer
Chamo-te antes espelho
Onde espero de me ver

O meu abalou
Deu-me uma linda despedida
Abarcou-me a mão direita
Adeus oh prenda querida

Que amor não me engana

Dm                C           Dm
Que amor não me engana
Dm                C            Dm
Com a sua brandura
Dm              C     Am   C
Se d'antiga chama
G    Am    Dm
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

Dm    C    G    Dm
E as vozes embracam
        C       G     Dm
Num silêncio aflito
                   C          Dm
Quanto mais se apartam
C         Am         Dm
Mais se ouve o seu grito


Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

Traz outro amigo também

A                     D
Amigo maior que o pensamento
C                                   A
Por essa estrada amigo vem
G                    A               A7
Por essa estrada amigo vem
D                    A
Não percas tempo que o vento
C         E       A        A7
É meu amigo também
D                                        A
Não percas tempo que o vento
C         E       A        A D A
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Vejam bem

Am
Vejam bem
G Am
que não há só gaivotas em terra
G Am
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Am
Quem lá vem
G Am
dorme à noite ao relento na areia
G Am
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

Am
E se houver
G Am
uma praça de gente ma dura
C
e uma estátua
G E
e uma estátua de de febre a arder

Am
Anda alguém
G Am
pela noite de breu à procura
G Am
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Am
Vejam bem
G Am
daquele homem a fraca figura
G Am
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

Am
E se houver
G Am
uma praça de gente madura
C
ninguém vai
G E
ninguém vai levantá-lo do chão

Am
Vejam bem
G Am
que não há só gaivotas em terra
G Am
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Am
Quem lá vem
G Am
dorme à noite ao relento na areia
G Am
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

Venham mais cinco

Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já
Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei d’aquém e além-mar


Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X

Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X

A gente ajuda, havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam, bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra, quem trepa
No coqueiro é o rei

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar



Idealizado por Sara com ajuda do pai e amigos - uma produção feita em Janeiro 2008